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10/06/2026

Prova cega

 


O campo! Nas décadas entre guerras, o campo é um território habitado e amanhado por chusmas de gente de inúmeras competências rurais. Pastores, ganhões, quinteiros, terceiras tratam de rebanhos, lavras, ceifas, mondas.

Homens e mulheres aproximados fisicamente, na alegria dos trabalhos estivais, estão disponíveis para dichotes carregados de sensualidade e maiores brincadeiras. As descamisadas à obscuridade lunar, abrandado o calor diurno, são especialmente apetecíveis para jogos e folia. Um beijo por cada espiga de milho-rei funciona como atiçador. Quase sempre aparece um tocador de harmónio e o baile acontece; dança de corpos separados, de braços levantados, o corpo a saltitar, o rosto afogueado de entusiasmo, uns toques corporais — quem pode evitar?, quem quer evitar? As paixões incendeiam os corpos, depois dos rostos e, por vezes, uma escapada rápida é inevitável. Nunca dá para muito, às vezes é o início de um namoro, de um casamento. Quantos casais começam nas eiras? Os casados vão-se deitar, mas um dia tão longo ainda tem de prolongar-se mais uns minutos, para apaziguar os corpos, para o sono ser sossegado.

Os homens — e as mulheres — nunca estão satisfeitos. Mesmo os casados podem ficar a cismar com um olhar cheio de promessas, com outro corpo, com a sua apetência, com a sua disponibilidade. Muitas vezes não passam de devaneios, alguma tentativa tosca facilmente desarmada. O patrão tem outra manha, outro ascendente sobre as assalariadas.

Domingos Saruga não se deixou esquecer de umas coxas brancas, robustas e molhadas, cujos sobrejoelhos vislumbrou na ribeira. “Zabel”, a mulher do ganhão, estava a lavar a roupa, metida na água, com a saia enrolada na cintura, enquanto dois gaiatos andavam por ali a brincar com os seixos. Domingos passava a caminho do rancho, na lida desse dia: desbandeirar parte da beirada de milho. Entre saudações e despedidas, houve tempo para uns gracejos:

Boas tardes! Tá calor, hã? — fez Domingos, com a bota apoiada num pedregulho.

Boas tardes! Aqui nã se está mal… — Isabel, sorridente, não deixou de esfregar a barra de sabão azul e branco numas calças encardidas.

Tamém não me importava de estar aí!… — insinuou Domingos. — nõ sei é se nõ m’aumentava o calor… — arriscou.

Ó patrão, se o calor é desses, o melhor é ir ter com a patroa, a ver se ela lho tira… — lançou a rapariga, em risada.

No domingo seguinte, na missa, depois dos ora pro nobis e dos miserere, o padre veio com uma prática que parecia feita para ele e lhe deu umas ideias. Era a história do rei David e de Betsabé. O rei vira-a a tomar banho, desejara-a e seduzira-a. Como era casada, o rei mandou o marido, militar, para a frente de batalha para morrer, e ficou com ela. Não havia só a coincidência do banho; o nome Betsabé também fazia lembrar Zabel. E a guerra era ali ao lado, em Espanha, em tempos de avançada nacionalista. Às vezes, ouviam-se tiros. Não era má ideia afastar o ganhão, para se poder aproximar da mulher dele.

Nessa mesma tarde, Domingos comunicou-lhe a ordem:

Amanhã, vais para o Vale do Espinho, lavrar a encosta do Monte da Anta. Vamos lá semear feijão pequeno.

O dito monte ficava a uns bons dez quilómetros e não passava de um terreno aberto.

Atão, mas não há lá casa nem nada!

Está bom tempo. Dormes debaixo do carro!

O dia seguinte era dia de mercado de gado na cidade. Domingos não falhava um. Depois de se inteirar dos preços do gado, de um ou outro bocado de conversa e de comer a bucha que levava, entrou numa das duas ourivesarias da cidade e quis ver brincos. De conversas anteriores, sabia que Isabel ambicionava uns brincos novos para levar a um casamento daí a meses.

É para a sua senhora ou quer melhor? — perguntou o matreiro ourives.

Vossemecê arranje-me aí uma coisa em conta! — Apesar da importância do motivo, Domingos não queria gastar muito. Se tinha arranjado algum, não era a esbanjar.

Escolheu uns simples, mas de filigrana fina. A rapariga ia gostar.

No dia seguinte, passou “casualmente” pela pequena horta que cedera ao casal e iniciou a aproximação com conversa mole, tendo o cuidado de esperar que os miúdos se afastassem. Andavam na rega da manhã.

A aguinha é o que vale à horta, senão secava tudo, nõ é?

O sol já vai alto. Daqui a bocado nem parece que a horta foi regada.

É o calor do tempo. A esta hora é sempre a subir. É cmó meu...

Ai, patrão, meta os pés na água qu’isso passa.

Já experimentei de tudo. Não passa de maneira nenhuma. Mas, eu sei como é que ele passava e quem mo fazia passar... E tu também sabes. Dava-te uns brincos, Zabel!

Nõ diga isso, patrão, que é pecado — reagiu Isabel, com pouco vigor. O malvado tinha encontrado a palavra mágica.

Hoje à noite no palheiro, quando eu for arraçoar o gado.

Ó patrão… Não pode ser… Depois o que é que eu dizia ao meu Zé?

Que é uma paga por ter ido trabalhar para fora.

Isabel ficou o resto do dia em grande inquietação. Não queria fazer aquilo, por mais que lhe agradassem uns brincos novos. Mas como é que podia dizer “não” ao patrão? Alvoroçado como andava, se calhar ia ficar tão danado que era capaz de despedir o seu Zé. Isso não podia acontecer. Não havia assim tanto trabalho na zona. Em desespero, lembrou-se de pedir ajuda à patroa. Talvez ela intercedesse para que o marido não despedisse o Zé.

À tardinha, antes de o patrão regressar a casa, Isabel contou à patroa as encrencas em que o patrão a tinha enredado.

Ai, o valhaco! — reagiu Assunção, genuinamente arreliada. Ali ao lado da casa, nas barbas dela, salvo seja? — Deixa estar que eu trato disso. Vai descansada, mas fecha-te em casa. E não digas nada a ninguém. Nem ao teu marido, senão há sangue!

Assunção e Domingos cearam normalmente, mas este parecia um pouco ansioso. No fim, levantou-se e anunciou:

Vou arraçoar o gado!

Logo que o marido saiu, Assunção deixou a candeia acesa, mas escapou-se rapidamente pela porta das traseiras e entrou no palheiro cautelosamente por uma porta secundária, protegida pelo escuro da hora e um lenço pela cabeça. O marido já lá estava e repetia em surdina:

Zabel! Zabel!

Assunção já tinha escolhido o sítio — uma zona de palha limpa espalhada no chão, na zona mais escura do palheiro. Fez um “ch, ch” suficientemente baixo, que não desse para identificar o timbre de voz. Domingos seguiu o som. Conhecia bem o palheiro. Em menos de nada, chegou ao pé da mulher. Às apalpadelas, encontrou-lhe o busto. Sentiu a macieza das carnes. Em grande excitação, agarrou aquele corpo disponível.

Amandei-lhe as mãos às tetas, às nalgas, à abêbera — fanfarronaria, na segunda-feira seguinte, para o amigo de confidências, também agricultor.

Arrastou a mulher para o chão e, em urgência, afastou roupas e pernas.

Boa com’um raio! Aluada que nem uma bezerra! Encavei-lhe o vergalho naqueles entrefolhos e fiquei ali a regalar-me! À patrão! — concluiria Domingos.

O gozo sobreveio antes de o diabo esfregar um olho, intenso, avassalador, tempestuoso.

«Tanta pressa! Até parece que passa fome em casa…» — notava Assunção, atenta e um pouco divertida.

«Parece que levei uma marrada!» — pensava Domingos, ainda atordoado. Depois levantou-se e começou a compor-se. Antes que a mulher se afastasse, meteu a mão no bolso das calças e tateou a mão dela:

Toma os teus brincos. Ganhaste-os bem! Vai, vai lá! Ma nõ digas nada!

Assunção não tinha preparado nenhuma ação especial; nem imaginara como as coisas pudessem passar-se. Uma ideia perversa assaltou-a: podia repetir a farsa mais vezes. Mas logo reconsiderou. Não podia deixar que ele continuasse a pensar que tinha estado com a Zabel.

Atão! Sabe-te melhor aqui do que lá em casa? — saiu-lhe.

Mergulhada no escuro, Assunção lamentava não poder ver a cara do marido. Seguiu-se um longo e opressivo silêncio. Nem cara, nem voz. Por um momento sentiu apreensão. Se calhar, não devia tê-lo confrontado já. A reação dele demorou, mas, quando chegou, regozijou-a e deu-lhe a certeza da vitória:

Rais parta as mulheres! — resmungou alto, afastando-se para deitar feno ao cavalo, à burra e a uma junta de vacas.

Em casa, depois de confirmar que não tinha palhas agarradas à roupa, Assunção apreciou os brincos. Já não se lembrava de quando é que ele lhe tinha dado uns. E o entusiasmo? «Só talvez por alturas do casamento» — calculou, despeitada. «O valhaco!» Com jeito, colocou-os e mirou-se num pequeno espelho, à luz da candeia de azeite. «Ficam-me bem! Acho que vou passar a usá-los. E hei de dar à Zabel os que já não uso, para ela levar ao casamento da prima.»

Recomeçou a arrumar a loiça. Domingos ainda demorou um bocado. Quando entrou, encontrou-a ao pé do lume, mas não disse nada e foi logo deitar-se.

Assunção ficou ainda algum tempo a meditar em tudo o que tinha acontecido. O malvado não tinha estado com outra mulher, mas, para o caso, era como se tivesse estado. A traição não tinha comparação com qualquer outra zanga. Era amargosa e verde como os concilhos. Aqueles brincos seriam o lembrete silencioso de que um dia Domingos tinha posto o pé em ramo verde. E lhe tinha corrido mal. Que ele teria de encarar todos os dias.

Joaquim Bispo

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Este conto, com o título “Os brincos”, foi selecionado para a 57ª edição (maio/junho de 2026) da Revista LiteraLivre, em formato e-book (páginas 79 a 82):

https://drive.google.com/file/d/1R34FbQa6ZAtLeAcjBO7MA4qicIrxciQg/view

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Imagem:

José Malhoa, Clara, 1903.

Museu do Chiado, Lisboa.

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10/12/2021

Um gesto ou dois

 

O homem tinha a cara enrugada, poucos dentes e um aspeto decrépito. Teria bem mais de 70 anos e adivinhava-se-lhe já pouco préstimo para o trabalho do campo. O patrão contratou-o por um misto de piedade e oportunidade. Chegou ao monte para guardar o “vazio”, isto é, o pequeno rebanho de carneiros e de outros ovinos que não estavam “cheios” — prenhes —, mas também ajudava em inúmeras outras tarefas da horta e da casa. Havia sempre lenha para cortar e água para acartar.

Era por meados da década de 50. O contrato era de 100 escudos por mês e “de comer”. Ficou a dormir num catre no palheiro e arranjou-se-lhe uma mesinha onde comer logo à esquerda da porta de entrada, separada do lume pelo monte de lenha. Os patrões e o filho pequeno comiam a dois metros dele, numa mesinha igualmente pequena e sentados em bancos rasteiros. Os dois cães de caça andavam sempre por ali, à espera que algo caísse da mesa.

A casa dos patrões era ampla e contígua ao palheiro. No verão, enchia-se de moscas, devido à proximidade com os animais, e também não faltavam pulgas. Só tinha a estrutura interna em taipa de dois quartos e um “peneirador” onde também se guardavam a masseira, a salgadeira, a bilha do azeite, a talha das azeitonas e duas arcas. Por cima deste conjunto, um sobrado onde se espalhavam as batatas e as cebolas para o ano inteiro. O resto era espaço amplo de telha vã, com um grande arcaz, o pote da água de usos de cozinha, uma cantareira com uma bilha de água de beber, e uma mesa enorme, só usada quando era preciso sentar muita gente numa matança do porco. O lume era feito num canto, no chão, onde se cozinhavam as refeições em panelas de ferro, e o fumo escoava-se pelas telhas. À noite, além do lume, só tremeluzia a chama de um candeeiro a petróleo, que se perdia na vastidão da casa.

Os tempos eram outros. Não havia eufemismos — empregados, trabalhadores agrícolas, assalariados —, só patrões e criados. A penúria dos agricultores rendeiros era quase tão grande como a dos criados, e não só na Beira Baixa. No entanto, vincavam bem as diferenças. Por isso o ti Mné Lucas — como o chamavam — sentava-se a uma mesa separada da dos patrões. E comia pão centeio. E dormia no palheiro.

A situação era “natural”, mas, de qualquer modo, o velhote estava por tudo. Nunca reclamava, nunca se queixava, nunca pedia nada; aceitava o que lhe davam ou o que achasse natural apanhar: figos, maçãs, ameixas. Certa vez, ralharam com ele, por ter apanhado mais de dois quilos de “lenticão” — uma excrescência da espiga do centeio —, vendido para remédios, e que rendia bom dinheiro. E foi motivo de galhofa quando uma vez pediu um martelo para bater um prego nas decrépitas botas de sola de borracha, remediadas com pregos. Um andava a entrar-lhe na carne.

Para o miúdo da casa, um catraio de seis ou sete anos, a chegada de um velhote carcomido, mas simpático, prometia animar o ramerrame campestre. Sentiu curiosidade, alegria, carinho. Certa vez, pediu mesmo aos pais que o deixassem acompanhá-lo no seu percurso matinal com o rebanho. Foi uma longa e monótona caminhada pelas encostas circundantes, mas o velhote acabou por animar o garoto ao construir um pequeno redil de brincar com muros de pedrinhas, e cancelas feitas de pauzinhos. Quando chegou a hora de comer, partilharam ambos o pão centeio dele, com algum conduto — certamente azeitonas, talvez queijo —, e ainda hoje o rapazito gosta da côdea queimada do pão centeio.

A rotina de saídas dos patrões era irem à terra de quinze em quinze dias, a uns doze quilómetros, onde a patroa tinha a mãe e duas irmãs mesmo do outro lado da rua. Até aos sete anos do garoto, iam os três na garupa da égua: o pai escarranchado, a mãe sentada de lado, atrás dele, e o miúdo ao colo da mãe, de pernas penduradas. Depois, já iam de carroça, sempre com carga extra de trigo para moer, ovos para vender, e outras cargas circunstanciais.

Nunca passavam o Natal no campo. Não faziam festa ou ceia especial de Natal, mas era uma data que nunca falhavam na terra. Exceto daquela vez: havia um assunto que o patrão não quis deixar entregue a outros, talvez uma vaca a parir por aqueles dias. Portanto, ficaram todos no monte. E nem avisaram ninguém, porque para isso era preciso ir até à terra mais próxima, a três quilómetros, e enviar uma carta. Não valia a pena; quando se fizesse dez ou onze da noite, os familiares certamente suspeitariam que tinha acontecido um dos inúmeros inesperados que aconteciam na vida do campo e descansariam.

A ceia desse Natal foi como a de muitas outras noites: batatas cozidas com couves, acompanhadas com uma fatia de toucinho, rodelas de farinheira e morcela. A única diferença foi que, apesar de não se fazer habitualmente qualquer ceia especial, todos sabiam que era noite de Natal, até porque nesse dia a patroa tinha amassado as filhós e tinham estado a fritá-las na caldeira de cobre antes da ceia. E havia um certo sentimento de complacência no ar. A patroa murmurou qualquer coisa para o patrão, este meditou uns segundos e chamou:

Ó ti Manel, hoje é noite de Natal. Venha aqui para a nossa mesa!

E pela primeira vez em três ou quatro anos, o ti Mné Lucas foi comensal dos patrões. A princípio, não se falou muito mais do que nas outras noites, mas o ambiente era afetuoso e no fim comeram-se filhós à roda do lume. Nessa noite, para além de algumas histórias já conhecidas, o ti Manel contou como acontecera o seu casamento: era marujo embarcado e, certa vez, ao atracar em Lisboa, soube por um conterrâneo que a sua noiva estava para casar com outro. Meteu-se logo no comboio a caminho da terra, “pôs tudo em pratos limpos” e casou ele com ela. Sentia-se-lhe na voz um misto de alegria pela evocação de um episódio tão especial, e uma nostalgia de tempos desaparecidos. Quando, pouco depois, se foram deitar, todos levavam um aconchego de alma inusitado.

No dia seguinte, o almoço foi guisado de batatas com um coelho bravo que o patrão caçou nessa manhã. O ti Mné Lucas não estava presente, porque andava com o rebanho, mas, à noite, quando chegou ao lugar habitual, atrás da porta, foi mimado com um pouco do guisado do almoço. Ainda antes de se sentar, meteu a mão num dos bolsos do casacão remendado e amarrotado que usava, tirou uma pequena escultura de uma ovelha, talhada à navalha num tronquinho de giesta, e estendeu-a ao deslumbrado miúdo.

Andava o rapaz já pelos quinze anos, quando o pai, na expectativa de uma vida menos áspera como operário fabril, decidiu desistir da lavoura, deixar os vários arrendamentos, vender rebanhos, vacas e o carro de bois e abalarem todos para a aldeia. Nunca mais viram o ti Mné Lucas. Parece que tencionava ir ter com uma filha a Lisboa. Souberam que morreu talvez um ano ou dois depois.

Passaram entretanto muitos anos, quase todos os protagonistas desta história já morreram, mas a criança de então mantém um especial carinho por ela e pela pequena escultura. Ainda hoje a guarda e de vez em quando gosta de a ter exposta. Mesmo agora estará a contemplá-la, ali na segunda prateleira da estante.

Joaquim Bispo

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Este conto obteve o 2º lugar na categoria Conto internacional, no 5° Concurso Literário Internacional Castro Alves da Academia Rio-Grandina de Letras, Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil, 2019–2021.

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Imagem: Carlos Relvas, Mendigo, (prova em albumina), c. 1862–1870.

Casa dos Patudos, Alpiarça.

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