
Todos
sabemos que os mortos não voltam; por uma razão muito simples —
morreram. No entanto, uma inaptidão para lidar com a interrupção
do devir leva-nos a imaginar os nossos mortos em forma carnal
incorrupta, como quando os conhecemos. Aliás, a aventura humana, com
as suas contínuas “entregas de testemunho cultural”, é muito
eficaz a fazer-nos proceder como se houvesse um devir contínuo. E um
contínuo progresso. Esta nossa capacidade de abstração e de
idealização permite-nos imaginar os cenários mais inverosímeis
com a naturalidade das coisas quotidianas.
Um
avô meu morreu em 1950, quando...