Para
Duarte, domingo era dia de passeio cultural, fosse qual fosse a
disposição de ânimo. Desde que se separara da mulher, podia
arrastar-se toda a semana pela casa, de pijama e sem banho, mas, aos
domingos, impunha-se arranjar-se e sair. Naquele domingo de início
de maio, resolveu ir até Belém e seguir o impulso do momento.
Começou por entrar no Centro Cultural de Belém. Percorria a
exposição temporária “1968: O Fogo das Ideias”, quando foi
interpelado por uma morena muito jovem — de talvez uns trinta e
poucos anos — que não reconheceu de imediato:
— Duarte!
Há quanto tempo! O que tens...