
Casimiro
Lopes começou a suspeitar de que qualquer coisa não estava bem
quando, pela terceira vez, o seu parceiro habitual de ténis,
Francisco Torrinha, deu uma desculpa para não fazerem a partida
habitual. Não jogavam com muita regularidade — talvez de três em
três semanas, muito longe das duas vezes semanais de uns anos atrás,
quando ambos ainda estavam ao serviço da empresa —, mas era o
suficiente para manterem a ilusão e a imagem de jogadores de ténis.
Nem sequer eram grandes praticantes, apesar de jogarem juntos havia
uns vinte anos. O ténis, agora, não passava de um pretexto para
mexerem...