O
homem tinha a cara enrugada, poucos dentes
e um aspeto decrépito. Teria bem mais de 70 anos e adivinhava-se-lhe
já pouco préstimo para o trabalho do campo. O patrão contratou-o
por um misto de piedade
e oportunidade. Chegou ao monte para guardar o “vazio”, isto é,
o pequeno rebanho de carneiros e de outros ovinos que não estavam
“cheios” — prenhes —, mas também ajudava em inúmeras outras
tarefas da horta e da casa. Havia sempre lenha para cortar e água
para acartar.
Era
por meados da década de 50. O contrato era de 100 escudos por mês e
“de comer”. Ficou a dormir num catre...