
A
vida de Anselmo Carvalho, sempre acompanhada por uma corrente de
consciência palradora, decorria num ramerrame pontuado pela
regularidade pendular das refeições domésticas, a vacuidade dos
programas televisivos e a futilidade dos seus passatempos, em que
avultava o sudoku.
Há muito tinha deixado o interior para conquistar a grande capital,
que muitas vezes se revelara uma amante perversa. “Porra!”
acudia-lhe aos lábios quando se lembrava desses tempos de
desenraizado.
Na
sua meia-idade, cultivava uma postura pouco ativa e vagamente
agreste, como a árvore que lhe dava o sobrenome, e estava...