
Na
minha rua existe uma personagem singular — um devorador de jornais. Traga todos os que
encontra, quer os que são abandonados nas mesas dos cafés, quer os
que o vento empurra rua afora. Uma vez por outra, já o vi até debruçado pela abertura do Papelão.
Como
seria de esperar, está sempre bem informado, quer das notícias do
dia, quer das anteriores, que já todos esqueceram. As conversas que
mantém à tarde parecem o noticiário da rádio local, no dia da
folga do jornalista. As da manhã, também. Por uma razão ou por
outra, é objeto de veladas animosidades, fundadas na bizarria que
o caracteriza.
A
mulher...