
O
cão avançava pela rua inebriado pelos inúmeros cheiros que
farejava: cadelas, cães, comida. A caminho do parque, o seu dono
soltara-o da trela e dera-lhe liberdade total. E o cão corria
antecipando os prazeres dos grandes espaços.
Era
bom correr. Os membros gostavam da corrida. Corria em grandes saltos
a caminho dos baldios para lá do bosque. E, aí, o labirinto dos
matos, os gafanhotos, os ratos, os lagartos. Corria por entre os
fenos, por trilhos onde só ele cabia. De surpresa, levantavam-se perdizes e fugiam coelhos e lebres. E o cão
perseguia-os, delirante. Não era o instinto da caça,...