
Há
dias em que um homem não devia sair de casa; o problema é que só o
sabe tarde de mais, como bem se lamenta o meu vizinho António, que me
contou o que se segue:
Foi
aos Correios levantar uma encomenda e deu de caras com um antigo
colega da Secundária, a quem na altura toda a gente chamava
«Fosquinhas». Feitas as saudações e as manifestações de
regozijo adequadas a um desencontro de mais de vinte anos, António
fez a pergunta que o perdeu:
— Então,
vai tudo bem contigo?
Gustavo,
o amigo, desforrando-se de um longo jejum de ouvintes complacentes,
sorriu tristemente, antes de desenrolar...