
Deolinda
obrigava-se a sair de casa, nem que fosse para comprar um pacotinho
de biscoitos ou mais uma lata de ervilhas, de que não precisava para já.
Estava reformada havia quatro anos e aborrecia-se em casa. Talvez
inconscientemente, fracionava as tarefas no exterior, em vez de as
aviar todas de uma vez, de modo a ter pretextos para sair
de casa. Ia ao centro da Póvoa comprar fruta ― umas boas centenas de metros
―, ainda que tivesse um minimercado do outro lado da rua. Era uma
maneira de pôr em prática a caminhada que o médico recomendava,
além de aproveitar para espreitar umas montras...