
Todos
chamavam Plantão ao louco da pequena vila do Sabugal. Calcorreava a
povoação, descalço mas com garbo, como se medisse cada passada com
exatidão. A última pessoa que lhe ouvira a voz, num dia mau de uns anos antes, desenganara-o:
— N'o há cá pão pa malucos!
Conhecido de todos, entrava nos cafés, avaliava os circunstantes e dirigia-se
a um deles. Ficava a olhá-lo, sem dizer palavra, sem estender a mão,
direito e parado. O visado, geralmente, puxava
de uma moeda e dava-lha. Plantão recebia a moeda e retirava-se, com
um ligeiro aceno de cabeça. E recomeçava a ronda. Dizia-se, sem...